Um novo estudo encomendado pelo American Consumer Institute sugere que a remoção das embalagens de plástico dos produtos alimentares do dia a dia poderia acrescentar cerca de 60,75 dólares americanos à média das compras, levantando novas questões sobre a acessibilidade nas políticas de embalagens.
O debate sobre embalagens de plástico
O debate em torno das embalagens de plástico é cada vez mais dominado por questões de resíduos, reciclabilidade e regulamentação, mas um novo estudo dos EUA está a direcionar a atenção para outra questão: acessibilidade para o consumidor. Segundo um relatório encomendado pelo American Consumer Institute (ACI) e conduzido pelo investigador da Universidade de York Calvin Lakhan, a remoção das embalagens de plástico de uma variedade de produtos alimentares do dia a dia poderia aumentar significativamente o custo das compras para os agregados familiares americanos.
Impacto económico da eliminação das embalagens de plástico
A análise sugere que eliminar as embalagens de plástico de artigos domésticos e alimentares comuns aumentaria a conta média das compras em cerca de US$60,75 por ida às compras. Esta conclusão coloca as escolhas de embalagem num contexto económico mais amplo, especialmente numa altura em que a inflação e os orçamentos familiares continuam sob pressão. Para o setor das embalagens, o estudo reforça o argumento crescente de que as transições de materiais não podem ser discutidas apenas em termos ambientais, mas devem também considerar o custo, a logística e o acesso aos alimentos.
O cenário do “choque do pequeno-almoço”
Um dos exemplos mais claros no relatório é o seu cenário de “choque do pequeno-almoço”, que analisa produtos básicos como leite, bacon e fruta congelada para batidos. Neste caso, substituir as embalagens de plástico aumentaria o custo desses itens em 24,5 por cento, ou aproximadamente US$6,34 a mais por ida às compras. Embora isso possa parecer gerível isoladamente, o estudo argumenta que aumentos semelhantes em várias categorias de produtos se acumulam rapidamente, especialmente para famílias que compram bens essenciais todas as semanas.
Aumentos notáveis noutras categorias
O relatório aponta também para aumentos significativos noutras categorias. Os preços do leite poderiam subir 38,3 por cento, as bebidas carbonatadas 55,1 por cento e produtos como carne e alimentos congelados entre 15 e 28 por cento. Estes aumentos de custo não são atribuídos apenas aos materiais alternativos em si, mas também aos efeitos mais amplos da substituição de materiais em toda a cadeia de abastecimento.
- Segundo o estudo, o impacto económico da redução das embalagens de plástico resultaria de uma combinação de custos mais elevados dos materiais, ineficiências no transporte, alterações na fabricação e aumento do risco de deterioração.
Relevância para embalagens alimentares
Este último ponto é especialmente relevante para as embalagens alimentares. Os plásticos frequentemente oferecem um equilíbrio forte entre leveza, proteção do produto, vida útil e eficiência de custos, particularmente em categorias onde o controlo da humidade, a vedação e a durabilidade são críticos. Substituir essas funções por outros materiais pode afetar mais do que o design da embalagem. Pode influenciar os pesos no transporte, velocidades de produção, níveis de desperdício e perdas de produto na distribuição. Em setores como alimentos refrigerados, bebidas e produtos congelados, até pequenas alterações nas embalagens podem ter consequências comerciais mais amplas.
Impacto nas famílias de rendimentos baixos e médios
O estudo sugere também que os agregados familiares de rendimentos baixos e médios seriam os mais afetados, uma vez que as compras de supermercado representam uma fatia maior dos seus gastos mensais. Esta perspetiva é provável que ressoe nas discussões políticas onde se consideram proibições, restrições ou metas agressivas de substituição de materiais. Embora a pressão ambiental sobre os plásticos de uso único dificilmente diminua, o relatório defende que a acessibilidade deve continuar a fazer parte da conversa sobre embalagens, em vez de ser tratada como uma preocupação secundária.
Estratégia equilibrada para a indústria das embalagens
Para a indústria das embalagens, as conclusões não constituem uma defesa da inação. Pelo contrário, reforçam a necessidade de uma estratégia de transição mais equilibrada: uma que melhore a reciclagem, apoie uma melhor gestão de resíduos e incentive a inovação de materiais sem ignorar o papel que o plástico ainda desempenha em manter muitos produtos do dia a dia práticos e acessíveis. À medida que a pressão regulatória continua a aumentar, o desafio para os intervenientes no setor das embalagens será mostrar como os objetivos de sustentabilidade podem ser avançados sem criar encargos de custo inesperados para os consumidores no momento da compra.
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