Nova investigação BB-REG-NET da Universidade de Sheffield revela que a terminologia da bioeconomia permanece amplamente confinada a especialistas, causando confusão nos consumidores sobre embalagens à base de biomassa, biodegradáveis e compostáveis — e apela a definições padronizadas e instruções de eliminação mais claras.
Os consumidores querem fazer escolhas mais sustentáveis, mas muitos têm dificuldade em compreender o que “bio-based”, “biodegradável” e “compostável” realmente significam — principalmente porque a linguagem usada pela indústria e pelos decisores políticos não corresponde à forma como as pessoas processam a informação na vida real. Esta é a principal conclusão de um novo relatório da BB-REG-NET, a rede científica regulatória do Reino Unido para materiais bio-based e biodegradáveis, escrito pela Professora Joanna Gavins da Universidade de Sheffield.
No relatório, Comunicação Eficaz para Avançar a Bioeconomia Industrial Moderna, os investigadores descrevem este problema como “hipocognição” — um conceito da linguística cognitiva onde as pessoas carecem do quadro mental para interpretar terminologia desconhecida. Sem sistemas consistentes e repetíveis de rotulagem e eliminação, o público tem oportunidade limitada para construir entendimento através da experiência quotidiana.
“Os consumidores querem fazer escolhas mais sustentáveis, mas sentem-se sobrecarregados por uma linguagem confusa e greenwashing”, disse Gavins, argumentando que uma comunicação clara é agora um fator chave para a bioeconomia moderna.
Por que os termos não são compreendidos pelo público
O relatório combina análise linguística com investigação de consumidores para mostrar o quão distantes estes termos estão da linguagem do dia a dia. Usando a classificação de frequência do Oxford English Dictionary (OED) e um corpus de 52 mil milhões de palavras de textos contemporâneos em inglês, o estudo concluiu que estas palavras continuam raras no uso geral:
- “Biodegradável”: 1,51 ocorrências por milhão de palavras
- “Compostável”: 0,53
- “Bio-based”: 0,23
- “Bioplástico”: 0,13
Em comparação, o vocabulário comum do dia a dia aparece tipicamente 100–1.000 vezes por milhão de palavras. Segundo a classificação do OED, apenas “biodegradável” atinge a Banda 5, significando que é reconhecível mas ainda “distinctamente erudito” e associado a um discurso educado. Os restantes termos pertencem a bandas mais especializadas e são frequentemente “estranhos ou exóticos” para o público geral.
Uma análise adicional usando o corpus enTenTen21 e o Sketch Engine mostrou que estes termos chave da bioeconomia aparecem maioritariamente em contextos especializados — ciência, saúde, negócios e economia — em vez de domínios do quotidiano como casa, vida familiar, beleza e moda, ou mesmo discussões ambientais mais amplas. O relatório argumenta que isto ajuda a explicar porque os consumidores encontram os termos nas embalagens mas raramente os veem reforçados na conversa diária, nos media ou no comportamento rotineiro.
Reciclável é diferente — e o relatório explica porquê
O relatório contrasta estes resultados com “reciclável” (1,57 ocorrências por milhão de palavras), que aparece em muitos domínios incluindo conteúdos domésticos, temas de estilo de vida, notícias, tecnologia e escrita ambiental. A diferença, argumenta o relatório, é que a reciclagem beneficiou de décadas de infraestruturas, legislação e repetição comportamental consistentes, tornando tanto a linguagem como o processo familiares.
“Armadilhas” linguísticas que geram mal-entendidos
O relatório identifica padrões específicos de linguagem que criam confusão:
- O sufixo “-able” (biodegradável/compostável) obriga os consumidores a imaginar um estado futuro, em vez de dar uma instrução prática sobre o que fazer agora. Muitas vezes falha em comunicar as condições ou o prazo necessários para o produto se decompor.
- O prefixo “bio-” é usado de forma inconsistente. Em “bio-based” refere-se à origem biológica (fontes renováveis), enquanto em “biodegradável” refere-se a um processo biológico (degradação microbiana). Os consumidores frequentemente fundem estes significados e assumem que tudo o que é “bio-” se decomporá naturalmente.
Essa confusão reflete-se no comportamento. Numa sondagem da BB-REG-NET com mais de 2.000 consumidores do Reino Unido, enquanto 51% confiavam nas alegações de compostabilidade, apenas 22% disseram saber o que acontece ao lixo após a recolha. Grupos focais em outubro de 2025 revelaram que muitos participantes colocariam embalagens rotuladas como “compostáveis” no composto doméstico do jardim, e assumiam que produtos “bio-based” se decomporiam no ambiente natural.
Um quadro prático: definir termos e depois dar instruções que as pessoas seguirão
O relatório propõe um quadro de comunicação baseado em duas necessidades: fornecer informação e dar instrução.
1) Padronizar definições
Para reduzir a confusão e limitar o greenwashing, o relatório recomenda definições consistentes usadas em toda a cadeia de valor:
- Bio-based: materiais derivados total ou parcialmente de fontes biológicas renováveis.
- Biodegradável: materiais concebidos para se decompor através da atividade microbiana sob condições específicas; as alegações devem especificar as condições e prazos.
- Compostável: um subconjunto de materiais biodegradáveis que cumprem normas reconhecidas; as comunicações devem clarificar se é necessário composto doméstico ou composto industrial.
O relatório também destaca que “bioplástico” é especialmente confuso e recomenda evitá-lo.
2) Tornar as instruções de eliminação explícitas e informadas pelo comportamento
Quanto à eliminação, o relatório concluiu que instruções form
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