Um novo relatório destaca o papel potencial das alternativas em papel no combate à poluição causada por embalagens flexíveis, ao mesmo tempo que sublinha que a reutilização, o reabastecimento e melhores sistemas de recolha continuam a ser essenciais para uma economia circular de embalagens.
Embalagens à base de papel como rota para reduzir o impacto ambiental
As embalagens à base de papel estão a ser posicionadas como uma possível solução para reduzir o impacto ambiental das embalagens flexíveis de pequeno formato, mas um novo relatório da Ellen MacArthur Foundation deixa claro que a substituição do material por si só não resolverá a crise da poluição plástica. A publicação defende que o papel pode desempenhar um papel útil em aplicações específicas, particularmente em mercados onde formatos plásticos pequenos, como sachês e invólucros, são frequentemente perdidos no ambiente, mas apenas se essas alternativas em papel forem projetadas de forma responsável e apoiadas por sistemas mais amplos de economia circular.
Desafios das embalagens flexíveis
As embalagens flexíveis continuam a ser um dos formatos mais difíceis de gerir no âmbito da gestão global de resíduos. Os plásticos de pequeno formato são leves, muitas vezes difíceis de recolher e, em muitos países, ficam fora dos sistemas eficazes de reciclagem. Segundo o relatório, as embalagens flexíveis representam uma parte significativa do plástico que entra nos oceanos e continuam a apresentar algumas das taxas de reciclagem mais baixas a nível mundial. Em regiões com infraestrutura de resíduos limitada e altas taxas de fuga, o desafio é ainda maior, especialmente onde a recolha informal de resíduos desempenha um papel importante na recuperação de valor dos materiais descartados.
Apelo à inovação responsável
Num contexto assim, mais de 45 empresas, ONG, investidores e académicos apelam a uma inovação mais rápida nas embalagens flexíveis à base de papel. A ideia não é apresentar o papel como um substituto universal do plástico, mas identificar onde as alternativas à base de fibras podem ajudar a reduzir a fuga e melhorar os resultados no fim de vida. Os formatos em papel podem, nas condições certas, ser recicláveis e reciclados na prática e, nos piores cenários, podem também oferecer vantagens de biodegradabilidade caso escapem aos sistemas de resíduos e entrem no ambiente.
Abordagem equilibrada e economia circular
O relatório é cuidadoso para evitar afirmações simplistas. Enfatiza que o papel é apenas uma parte da solução e que o objetivo a longo prazo deve continuar a ser uma abordagem de economia circular completa. Isso significa reduzir a dependência das embalagens de pequeno formato descartáveis em geral, ampliando modelos de reutilização, recarga e embalagens sem embalagem sempre que possível. Também implica investir em sistemas de recolha e reciclagem que sejam inclusivos e protejam os meios de subsistência dos catadores informais, que continuam centrais na recuperação de materiais em muitos mercados com alta taxa de fuga.
Critérios para embalagens flexíveis à base de papel
Uma mensagem chave da pesquisa é que as embalagens flexíveis à base de papel devem ser projetadas de forma responsável para evitar substituir um problema ambiental por outro. Sem um design cuidadoso, aprovisionamento e planeamento do fim de vida, as alternativas em papel podem oferecer pouca melhoria em relação aos formatos plásticos que pretendem substituir. O relatório define assim seis critérios críticos que devem atuar como guardiões para o desenvolvimento e implementação das embalagens flexíveis em papel. Estes princípios destinam-se a garantir que qualquer mudança para a fibra não comprometa a reciclabilidade, o aprovisionamento responsável da fibra ou o desempenho ambiental mais amplo.
Necessidade de acelerar a inovação
Ao mesmo tempo, o relatório reconhece que soluções de embalagem que cumpram todos estes requisitos ainda não existem na escala, custo e desempenho técnico necessários para uma adoção generalizada. Essa lacuna, no entanto, é apresentada como uma razão para acelerar a investigação, investimento e programas-piloto, e não para os atrasar. Empresas e decisores políticos são incentivados a apoiar a inovação agora, enquanto constroem as salvaguardas que determinarão quando o papel é realmente uma opção melhor.
Mensagem equilibrada para a indústria de embalagens
Para a indústria de embalagens, a importância do relatório reside na sua mensagem equilibrada. Reconhece a urgência de combater a poluição das embalagens flexíveis, especialmente em mercados onde a fuga para o ambiente continua elevada, mas rejeita também a ideia de que a simples troca de materiais seja suficiente. A direção futura, segundo a Fundação, exigirá uma combinação de melhor design de embalagens, cadeias de abastecimento de fibras sustentáveis, sistemas de recolha e reciclagem mais fortes e a expansão dos modelos de reutilização.
O papel do papel na inovação
Isso torna o papel uma área importante de inovação, mas não uma solução milagrosa. O seu papel dependerá da eficácia com que a indústria conseguir alinhar o desenvolvimento de materiais com a infraestrutura real de resíduos e os princípios de design circular. Nesse sentido, o relatório contribui para a conversa crescente em torno das embalagens flexíveis, deslocando o foco da simples substituição para a questão mais complexa de como deve ser uma transição de embalagens verdadeiramente eficaz.
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